SE14025 - (Técnico em assuntos educacionais. 2023. Cebraspe/Cespe) No que se refere aos direitos e às garantias fundamentais, julgue o item que se segue.
Apesar de o artigo 5.º da CF estabelecer que os direitos fundamentais são garantidos aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país, os estrangeiros não residentes podem ser beneficiados com habeas corpus.
SE14024 - (Curso de Formação de Militares. 2023. Vunesp) Leia o texto, para responder a questão.
A alegria da música
Eu gosto muito de música clássica. Comecei a ouvir música clássica antes de nascer, quando ainda estava na barriga da minha mãe. Ela era pianista e tocava... Sem nada ouvir, eu ouvia. E assim a música clássica se misturou com minha carne e meu sangue. Agora, quando ouço as músicas que minha mãe tocava, eu retorno ao mundo inefável que existe antes das palavras, onde moram a perfeição e a beleza.
Em outros tempos, falava-se muito mal da alienação. A palavra “alienado” era usada como xingamento. Alienação era uma doença pessoal e política a ser denunciada e combatida. A palavra alienação vem do latim alienum, que quer dizer “que pertence a um outro”. Daí a expressão alienar um imóvel. Pois a música produz alienação: ela me faz sair do meu mundo medíocre e entrar num outro, de beleza e formas perfeitas. Nesse outro mundo eu me liberto da pequenez e das picuinhas do meu cotidiano e experimento, ainda que momentaneamente, uma felicidade divina. A música me faz retornar à harmonia do ventre materno. Esse ventre é, por vezes, do tamanho de um ovo, como na Rêverie, de Schumann; por vezes é maior que o universo, como no Concerto nº 3 de Rachmaninoff. Porque a música é parte de mim, para me conhecer e me amar é preciso conhecer e amar as músicas que amo.
Agora mesmo estou a ouvir uma fita cassete que me deu Ademar Ferreira dos Santos, um amigo português. Viajávamos de carro a caminho de Coimbra. O Ademar pôs música a tocar. Ele sempre faz isso. Fauré, numa transcrição para piano. A beleza pôs fim à nossa conversa. Nada do que disséssemos era melhor do que a música. A música produz silêncio. Toda palavra é profanação. Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do divino, ouvir música é oração. Assim, eu e o Ademar adoramos juntos no altar da beleza. Terminada a viagem, o Ademar retirou a fita e m’a deu. “É sua”, ele disse de forma definitiva. Protestei. Senti-me mal, como se fosse um ladrão. Mas não adiantou. Existem gestos de amizade que não podem ser rejeitados. Assim, trouxe comigo um pedaço do Ademar que é também um pedaço de mim.
(Rubem Alves, Na morada das palavras. Adaptado)
A estilística da fala aponta construções em que há uma contradição na associação dos elementos de que se fala. A figura que corresponde a essa construção, no enunciado do primeiro parágrafo – Sem nada ouvir, eu ouvia. –, é:
SE14023 - (Vestibular. 2024. Vunesp) Examine a tirinha do cartunista André Dahmer, publicada em sua conta no Instagram em 15.07.2023.

Em sua tirinha, o cartunista ironiza o emprego pelo personagem do seguinte recurso expressivo:
SE14022 - (Aluno Oficial. 2024. Vunesp) Leia a crônica “Liberdade”, de Clarice Lispector, para responder à questão.
Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais.
— Mamãe, tire esse cabelo da testa.
— É um pouco da franja ainda.
— Mas você fica feia assim.
— Tenho o direito de ser feia.
— Não tem!
— Tenho!
— Eu disse que não tem!
E assim foi que se formou o clima de briga. O motivo não era fútil, era sérioa: uma pessoa, meu filho no caso, estava- me cortando a liberdadeb. E eu não suportei, nem vindo de filhoc. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava o meu direito total à liberdade.d Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele:e o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando — o que, afinal? Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo.
(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.)
A zeugma é uma das formas da elipse. Consiste em fazer participar de dois ou mais enunciados um termo expresso apenas em um deles.
(Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo, 2001. Adaptado.)
Identifica-se, no último parágrafo da crônica, o emprego da zeugma em:
SE14021 - (Técnico. 2024. Vunesp)
Ao desconcerto do mundo
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.
A produção de sentido no poema é estabelecida na relação entre bons e maus, formalizando a figura de linguagem denominada
SE14020 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Leia a tirinha, publicada pelo perfil do cartunista @guilherme_bandeira em 24.07.2025, para responder à questão.

O efeito de humor da tirinha decorre, sobretudo, do emprego das seguintes figuras de linguagem:
SE14019 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Leia o trecho do ensaio de Leandro Karnal para responder à questão.
Vivemos um tempo curioso — talvez até irônico. Nunca houve tantos alfabetizados. E, paradoxalmente, nunca presenciamos tanta dificuldade em sustentar uma leitura simples por alguns minutos. Este texto é um pequeno ensaio — mas, para alguns, já soa como uma Odisseia. Ulisses enfrentou monstros e naufrágios; o leitor moderno descobre notificações, abas abertas, mensagens pendentes e a tentação de rolar a tela. Ambos lutam contra distrações. A diferença é que Ulisses tinha um destino por vinte anos — e o leitor de hoje mal consegue terminar um parágrafo.
Não se trata de capacidade, mas de estrutura cognitiva. Sabemos decodificar letras; desaprendemos a permanecer nelasa. Padre Vieira pregava por duas horas e arrebatava ouvintes. Hoje, reels e vídeos curtos exigem impacto em cinco segundos para prender a atenção. Mudou o tempo, mudou o cérebro. Mudou o tipo de silênciob. Hoje, mesmo sem ruídos, estamos cercados por estímulos. O barulho migrou para dentro.
Aqui está meu ponto: se quase todos perderam a capacidade de leiturac profunda, quem a recuperar não ganha apenas conhecimento — obtém refúgio. Ler amplia ideias, organiza o pensamento, fortalece argumentos. Há um instante em que a leitura silencia tudo ao redor. E, nesse silêncio, algo raro acontece: a epifania, a iluminação.
Algo mais? A leitura pode deixar de ser exercício. Torna-se estadod. É nesse ponto que ela revela seu dom mais alto: a solitude. Não o isolamento do mundo, mas a possibilidade de habitá-lo sem se dissolver. Um espaço interno onde o barulho não entra. Onde não se busca audiência, mas presença. Solitude é quando você descobre que está só — e isto bastae. Por quê? Porque há silêncio. E, talvez, pela primeira vez, esse silêncio não assusta. Ele acolhe.
Hoje, ler é um ato revolucionário. O hábito produz uma forma rara e refinada de pensar. A leitura cria margem, pausa, distância crítica. Ouse ser especial. Ouse saber. Vinte minutos por dia — e um novo mundo começa a se abrir diante de você. A mente, que antes vagava, começa a habitar-se. E aí, começa a liberdade.
(Leandro Karnal. “Mudou o tempo, o cérebro, o tipo de silêncio: sem ruídos, o barulho migrou para dentro”. www.estadao.com.br, 19.07.2025. Adaptado.)
Zeugma é uma figura de linguagem que contribui para a coesão do texto, a partir da omissão de um termo anteriormente mencionado. Esse recurso está empregado no seguinte trecho:
SE14018 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Leia o trecho do romance Solitária, de Eliana Alves Cruz, para responder à questão.
— Mãe… a senhora precisa se libertar dessas pessoas… A senhora não deve nada a elas, pelo contrário. Mãe… Sou eu, a Mabel, sua filha. Não tenha medo de encarar esse povo que nunca limpou a própria privada!
O sol estava a pino. Um vento quente e sem alívio soprava como lança-chamas. No quintal da nossa pequena casa, mamãe estendia roupas. A cada camisa, calça, toalha pendurada, o suor escorria pela ação do calor — útil para secar as peças mais rapidamente e deixá-las com cores mais vivas —, e misturadas a ele vinham lágrimas, que ela buscava sem sucesso disfarçar. Estávamos ali numa espécie de dança entre os panos ondulando ao vento quente do subúrbio. Uma dança de esconder e revelar.
Eu dizia as frases entre dentes, sem disfarçar a minha raiva, e não omitia nada. Já estávamos ali havia um bom tempo e usei de todos os argumentos para tentar incutir nela a ideia de que precisava enfrentar a família de seus antigos patrões.
Ela parou por meio segundo a tarefa e abaixou a cabeça, com os braços no alto, prendendo o jaleco com meu nome bordado. [...] Era como se, ao estirar os lençóis, as fronhas e as toalhas nos fios longos que formavam uma espécie de teia de uma ponta a outra no nosso quintal, ela fosse também alongando as lembranças e os pensamentos. [...]
Eu, ao contrário, não alongava nada. Estava toda encurtada na paciência. Respiração, fala, pensamentos, tudo entrecortado por um sentimento amargo e represado que transbordava mais que o tanque com roupas de molho.
(Solitária, 2022.)
Para descrever seu estado emocional e o trabalho que está sendo feito pela sua mãe, a narradora se vale, sobretudo, do seguinte recurso expressivo:
SE14017 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.
O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.
O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.
Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.
(Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.)
Anacoluto é a mudança de construção sintática no meio do enunciado. Um fenômeno muito comum, especialmente na linguagem falada, que ocorre quando aquele que fala abstrai-se do começo do enunciado e continua a exprimir-se como se iniciasse uma nova frase.
Um trecho do texto em que é possível identificar a presença de anacoluto é:
SE14016 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Para responder à questão, leia a tirinha de Fernando Gonsales, publicada pelo perfil @niquel.nausea no Instagram, em 23.05.2025.

No comentário “Até as árvores ficam ansiosas com tanta propaganda”, foram empregadas duas figuras de linguagem, fundamentais para a construção do efeito de humor da tirinha. São elas:
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