SE14028 - (Consultor Legislativo. 2024. Outras) Euclides é diretor do setor da Prefeitura responsável por licitações, e chefe de Mário, que trabalha no mesmo setor. No exercício de suas funções, Euclides fica sabendo que Mário recebeu uma pequena quantia em dinheiro para revelar a terceiros dados sigilosos de um processo licitatório que tramitava na repartição. Ciente disso, Euclides chama Mário para conversar e este confessa tudo, dizendo que precisava muito de dinheiro porque sua esposa estava doente e estava com diversas contas atrasadas, e suplica para que Euclides não leve o fato ao conhecimento dos superiores. Tocado pela narrativa de Mário, Euclides deixa de responsabilizá-lo e de levar o fato a conhecimento de seus superiores.
Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que:
SE14027 - (Assistente Jurídico. 2023. AOCP) Maria Clara, servidora pública da autarquia estadual MME, com intuito de beneficiar sua amiga Fernanda, permitiu que Ana Flávia, terceira não autorizada, tivesse acesso ao conteúdo sigiloso do concurso público de provas e títulos destinado a preencher as vagas existentes na referida autarquia. Considerando o caso hipotético em comento, Maria Clara deverá responder pelo delito de:
SE14026 - (Auditor Fiscal. 2025. FGV) Assinale a opção que indica a conduta que constitui crime de falsificação de documento público.
SE14025 - (Técnico em assuntos educacionais. 2023. Cebraspe/Cespe) No que se refere aos direitos e às garantias fundamentais, julgue o item que se segue.
Apesar de o artigo 5.º da CF estabelecer que os direitos fundamentais são garantidos aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país, os estrangeiros não residentes podem ser beneficiados com habeas corpus.
SE14024 - (Curso de Formação de Militares. 2023. Vunesp) Leia o texto, para responder a questão.
A alegria da música
Eu gosto muito de música clássica. Comecei a ouvir música clássica antes de nascer, quando ainda estava na barriga da minha mãe. Ela era pianista e tocava... Sem nada ouvir, eu ouvia. E assim a música clássica se misturou com minha carne e meu sangue. Agora, quando ouço as músicas que minha mãe tocava, eu retorno ao mundo inefável que existe antes das palavras, onde moram a perfeição e a beleza.
Em outros tempos, falava-se muito mal da alienação. A palavra “alienado” era usada como xingamento. Alienação era uma doença pessoal e política a ser denunciada e combatida. A palavra alienação vem do latim alienum, que quer dizer “que pertence a um outro”. Daí a expressão alienar um imóvel. Pois a música produz alienação: ela me faz sair do meu mundo medíocre e entrar num outro, de beleza e formas perfeitas. Nesse outro mundo eu me liberto da pequenez e das picuinhas do meu cotidiano e experimento, ainda que momentaneamente, uma felicidade divina. A música me faz retornar à harmonia do ventre materno. Esse ventre é, por vezes, do tamanho de um ovo, como na Rêverie, de Schumann; por vezes é maior que o universo, como no Concerto nº 3 de Rachmaninoff. Porque a música é parte de mim, para me conhecer e me amar é preciso conhecer e amar as músicas que amo.
Agora mesmo estou a ouvir uma fita cassete que me deu Ademar Ferreira dos Santos, um amigo português. Viajávamos de carro a caminho de Coimbra. O Ademar pôs música a tocar. Ele sempre faz isso. Fauré, numa transcrição para piano. A beleza pôs fim à nossa conversa. Nada do que disséssemos era melhor do que a música. A música produz silêncio. Toda palavra é profanação. Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do divino, ouvir música é oração. Assim, eu e o Ademar adoramos juntos no altar da beleza. Terminada a viagem, o Ademar retirou a fita e m’a deu. “É sua”, ele disse de forma definitiva. Protestei. Senti-me mal, como se fosse um ladrão. Mas não adiantou. Existem gestos de amizade que não podem ser rejeitados. Assim, trouxe comigo um pedaço do Ademar que é também um pedaço de mim.
(Rubem Alves, Na morada das palavras. Adaptado)
A estilística da fala aponta construções em que há uma contradição na associação dos elementos de que se fala. A figura que corresponde a essa construção, no enunciado do primeiro parágrafo – Sem nada ouvir, eu ouvia. –, é:
SE14023 - (Vestibular. 2024. Vunesp) Examine a tirinha do cartunista André Dahmer, publicada em sua conta no Instagram em 15.07.2023.

Em sua tirinha, o cartunista ironiza o emprego pelo personagem do seguinte recurso expressivo:
SE14022 - (Aluno Oficial. 2024. Vunesp) Leia a crônica “Liberdade”, de Clarice Lispector, para responder à questão.
Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais.
— Mamãe, tire esse cabelo da testa.
— É um pouco da franja ainda.
— Mas você fica feia assim.
— Tenho o direito de ser feia.
— Não tem!
— Tenho!
— Eu disse que não tem!
E assim foi que se formou o clima de briga. O motivo não era fútil, era sérioa: uma pessoa, meu filho no caso, estava- me cortando a liberdadeb. E eu não suportei, nem vindo de filhoc. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava o meu direito total à liberdade.d Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele:e o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando — o que, afinal? Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo.
(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.)
A zeugma é uma das formas da elipse. Consiste em fazer participar de dois ou mais enunciados um termo expresso apenas em um deles.
(Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo, 2001. Adaptado.)
Identifica-se, no último parágrafo da crônica, o emprego da zeugma em:
SE14021 - (Técnico. 2024. Vunesp)
Ao desconcerto do mundo
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.
A produção de sentido no poema é estabelecida na relação entre bons e maus, formalizando a figura de linguagem denominada
SE14020 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Leia a tirinha, publicada pelo perfil do cartunista @guilherme_bandeira em 24.07.2025, para responder à questão.

O efeito de humor da tirinha decorre, sobretudo, do emprego das seguintes figuras de linguagem:
SE14019 - (Vestibular. 2025. Vunesp) Leia o trecho do ensaio de Leandro Karnal para responder à questão.
Vivemos um tempo curioso — talvez até irônico. Nunca houve tantos alfabetizados. E, paradoxalmente, nunca presenciamos tanta dificuldade em sustentar uma leitura simples por alguns minutos. Este texto é um pequeno ensaio — mas, para alguns, já soa como uma Odisseia. Ulisses enfrentou monstros e naufrágios; o leitor moderno descobre notificações, abas abertas, mensagens pendentes e a tentação de rolar a tela. Ambos lutam contra distrações. A diferença é que Ulisses tinha um destino por vinte anos — e o leitor de hoje mal consegue terminar um parágrafo.
Não se trata de capacidade, mas de estrutura cognitiva. Sabemos decodificar letras; desaprendemos a permanecer nelasa. Padre Vieira pregava por duas horas e arrebatava ouvintes. Hoje, reels e vídeos curtos exigem impacto em cinco segundos para prender a atenção. Mudou o tempo, mudou o cérebro. Mudou o tipo de silênciob. Hoje, mesmo sem ruídos, estamos cercados por estímulos. O barulho migrou para dentro.
Aqui está meu ponto: se quase todos perderam a capacidade de leiturac profunda, quem a recuperar não ganha apenas conhecimento — obtém refúgio. Ler amplia ideias, organiza o pensamento, fortalece argumentos. Há um instante em que a leitura silencia tudo ao redor. E, nesse silêncio, algo raro acontece: a epifania, a iluminação.
Algo mais? A leitura pode deixar de ser exercício. Torna-se estadod. É nesse ponto que ela revela seu dom mais alto: a solitude. Não o isolamento do mundo, mas a possibilidade de habitá-lo sem se dissolver. Um espaço interno onde o barulho não entra. Onde não se busca audiência, mas presença. Solitude é quando você descobre que está só — e isto bastae. Por quê? Porque há silêncio. E, talvez, pela primeira vez, esse silêncio não assusta. Ele acolhe.
Hoje, ler é um ato revolucionário. O hábito produz uma forma rara e refinada de pensar. A leitura cria margem, pausa, distância crítica. Ouse ser especial. Ouse saber. Vinte minutos por dia — e um novo mundo começa a se abrir diante de você. A mente, que antes vagava, começa a habitar-se. E aí, começa a liberdade.
(Leandro Karnal. “Mudou o tempo, o cérebro, o tipo de silêncio: sem ruídos, o barulho migrou para dentro”. www.estadao.com.br, 19.07.2025. Adaptado.)
Zeugma é uma figura de linguagem que contribui para a coesão do texto, a partir da omissão de um termo anteriormente mencionado. Esse recurso está empregado no seguinte trecho:
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