SE11694 - (Agente. Itapeva. 2024. Vunesp)

(Fernando Gonsales, “Níquel Náusea”. Folha de S.Paulo, 11.01.2024)
Os advérbios em destaque nas falas das personagens – NÃO, NUNCA, SIM – expressam, correta e respectivamente, circunstâncias de
SE11693 - (Agente. Itapeva. 2024. Vunesp)
Anteontem saí do prédio a caminho da padaria e cada filho meu agarrou uma mão. Foi um gesto automático, cotidiano, mas que me trouxe uma daquelas picadas epifânicas: já estamos nos acréscimos. A Oli tem dez, o Dani tem oito, num piscar de olhos nenhum deles vai querer pegar na minha mão, vão ter repulsa a qualquer toque e até vergonha da minha presença. Posso ouvi-los, adolescentes, batendo a porta do quarto na minha cara, logo depois de dizerem “ai, pai, como você é burro!”.
Aquelas bisnaguinhas mornas e macias buscando segurançaem minhas mãos, ainda acreditando na mentira de que eu posso protegê-los dos perigos do mundo, eram ao mesmo tempo uma bitoca da vida e um piparote da morte. O universo me premiando com a Mega-Sena e gritando no meu ouvido “perdeu, mané!”.
Outro dia eu estava saindo da ponte aérea e da fileira ao lado levantou uma mãe descabelada, olheiras de guaxinim: um filho de uns oito meses semiacordado e todo troncho no braço esquerdo, uma mochila da Peppa Pig no braço direito, a pasta de trabalho pendurada no pescoço, virada pras costas, enforcando-a, a mamadeira e uma chupeta entre os dedos que apertavam o bumbum do menino; o retrato clássico de malabarismo indigente da jovem mãe. Notei que um tênis da criança tinha ficado na poltrona. Entreguei a ela, que o meteu, com dificuldade, num bolso traseiro da calça jeans.
Lembrei das tantas vezes que ouvi, quando tinha bebês, “aproveita que passa rápido!”. Soava como um conselho bizarro em meio às noites mal dormidas, ao cocô vazado da fralda, às voltas de carro pelo City Boaçava, porque era um bairro com pouco farol e se parasse no cruzamento o bebê acordava aos urros. Daí me peguei morrendo de vontade de cutucar o ombro da mulher e falar “aproveita que passa rápido!”. Ela me olharia com o mesmo assombro que devolvi a tantas pessoas bem-intencionadas, dez anos atrás. A experiência é incomunicável.
São raros os momentos em que a gente se dá conta: isso aqui é a vida, isso aqui é o importante, não tem nada além, tem só, agarradas às minhas, essas duas mãozinhas e o sentimento do mundo. Foi um segundo a iluminação do raio e já veio o susto do trovão: tá passando, vai passar.
(Antonio Prata. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/ 2023/12/as-bisnagas-e-o-trovao.shtml. 23.12.2023. Adaptado)
Considere os trechos:
Outro dia eu estava saindo da ponte aérea e da fileira ao lado levantou uma mãe descabelada... (3º parágrafo)
... se parasse no cruzamento o bebê acordava aos urros” (4º parágrafo)
As expressões destacadas apresentam, respectivamente, circunstâncias de
SE11692 - (Agente Fiscal de Saúde Pública. 2024. Vunesp) Leia o texto para responder à questão.
Não quero fazer injúria ao silêncio, que estimo como um amigo. Mas quero fazer hoje o elogio do ruído, da agitação, da música que invade os ouvidos e retumba no peito. Quero declarar meu gosto pelo encontro festivo num breu que se faz brilho, entre braços camaradas e olhos desconhecidos, meu apreço por aquilo que os rígidos insistem em reprimir.
Minha cidade, São Paulo, já foi conspicuamente alegre, dessas que se julgam notívagas ou insones, dessas que desejam chegar despertas ao amanhecer. Um dia, porém, o sono dos justos ressonou mais forte que o ruído dos ébrios, e decidiu-se por lei que era preciso calar a cidade, submetê-la aos ditames irredutíveis dos relógios e dos medidores de decibéis. Já não lhe era mais permitido vagar livre depois da meia-noite. A cidade devia se apresentar em casa à uma no máximo, sóbria e casta e lúcida e respeitável, apta para a labuta do dia seguinte.
Depois desse dia, quem se atreve a circular por suas ruas na alta madrugada ouve o triunfo do silêncio. Bairros antes repletos de cores e luzes tornaram-se sequências de fachadas deslustradas e sombrias, indistintas portas metálicas a esconder seus restaurantes e bares, seus botecos e tabernas, seus sambas e pagodes, como se a essa hora se fizessem todos tão escandalosos que já não pudessem existir. Ao sonâmbulo andarilho que percorra sem saber esses caminhos, tão agitados na luz impávida dos dias, não resta mais que o susto da noite vazia e a constatação do poder sinistro do sossego.
Mas onde há poder, como ensinou um desses andarilhos festivos, há resistência. Tão fácil assim a cidade insone não dorme, não se resigna aos lençóis brancos e limpos ou à hipnose televisiva. Detrás das portas metálicas, sob letreiros apagados, por passagens furtivas, a noite paulistana sobrevive às escondidas, e há fervor na resistência, há amor e liberdade e um gosto inconfundível de vida. Em seu centro despovoado de pernas apressadas, ou em seus bairros recônditos, entre galpões e terrenos baldios, a cidade celebra ainda aquilo que a lei calou, de olhos fechados e braços erguidos.
Hoje é possível reencontrar a noite que perdemos pelas continências da ordem e da lei. E é assim que se podem frequentar vastos salões nobres que se abrem acima de botecos insuspeitos, e pistas quentes à margem dos trilhos do trem, e terraços que estranhamente escapam à vigilância municipal, e apertados porões onde os músicos se reúnem ao fim da noite, todos juntos à espera de um sol gentil. E é assim que temos descoberto que ainda vivemos numa cidade inquieta e enérgica, disposta a combater com música a ubiquidade do silêncio.
(Julián Fuks. https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/12/02/quiseram-calar-a-noite-de-sao-paulo-mas-ela-ainda-resiste.htm. Adaptado)
Considere os trechos:
“... a cidade celebra ainda aquilo que a lei calou, de olhos fechados e braços erguidos”
“... é possível reencontrar a noite que perdemos pelas continências da ordem e da lei.
As expressões destacadas apresentam, respectivamente, circunstâncias de:
SE11691 - (Analista de Comunicação Pleno. Sptrans. 2024. Vunesp) Leia a tira para responder a questão.

(Bill Watterson. O melhor de Calvin. www.estadao.com.br, 23.09.2023)
Na fala do tigre – Só se depois pudermos visitar uma prisão. –, a palavra destacada tem valor
SE11690 - (Professor III. Taubaté. 2024. Vunesp)
Bons dias!
Quem nunca invejou não sabe o que é padecer. Eu sou uma lástima. Não posso ver uma roupinha melhor em outra pessoa, que não sinta o dente da inveja morder-me as entranhas. É uma comoção tão ruim, tão triste, tão profunda, que dá vontade de matar. Não há remédio para esta doença. Eu procuro distrair-me nas ocasiões; como não posso falar, entro a contar os pingos de chuva, se chove, ou os basbaques1 que andam pela rua, se faz sol; mas não passo de algumas dezenas. O pensamento não me deixa ir adiante. A roupinha melhor faz-me foscas2, a cara do dono faz-me caretas...
Foi o que me aconteceu depois da última vez que estive aqui. Há dias, pegando uma folha da manhã, li uma lista de candidaturas para deputados por Minas, com seus comentos e prognósticos. Chego a um dos distritos, não me lembra qual nem o nome da pessoa, e que hei de ler? Que o candidato era apresentado pelos três partidos, liberal, conservador e republicano.
A primeira coisa que senti foi uma vertigem. Depois, vi amarelo. Depois não vi mais nada. As entranhas doíam-me, como se um facão as rasgasse, a boca tinha um sabor de fel, e nunca mais pude encarar as linhas da notícia. Rasguei afinal a folha, e perdi os dois vinténs; mas eu estava pronto a perder dous milhões, contanto que aquilo fosse comigo.
Upa! Que caso único. Todos os partidos armados um contra os outros no resto do império, naquele ponto uniam-se e depositavam sobre a cabeça de um homem os seus princípios. Não faltará quem ache tremenda a responsabilidade do eleito – porque a eleição, em tais circunstâncias, é certa; cá para mim é exatamente o contrário. Deem-me dessas responsabilidades, e verão se me saio delas sem demora, logo na discussão do voto de graças.
Diria eu que ser conservador era ser essencialmente liberal, e que no uso da liberdade, no seu desenvolvimento, nas suas mais amplas reformas, estava a maior conservação. Vede uma floresta (exclamaria, levantando os braços). Que potente liberdade! e que ordem segura! A natureza, liberal e pródiga na produção, é conservadora por excelência na harmonia em que aquela vertigem de troncos, folhas e cipós, em que aquela passarada estrídula3, se unem para formar a floresta, que exemplo às sociedades! que lição aos partidos!
(Machado de Assis, Crônica – Bons Dias! Adaptado)
1 Basbaques – tolos, simplórios
2 Foscas – o mesmo que fosquinhas: gestos, provocações
3 Estrídulas – ruidosas
Assinale a alternativa em que o vocábulo em destaque expressa ideia de posse, assim como no trecho – Não posso ver uma roupinha melhor em outra pessoa, que não sinta o dente da inveja morder-me as entranhas.
SE11689 - (Professor III. Taubaté. 2024. Vunesp)

(Galvão Bertazzi. Vida besta. https://cartum.folha.uol.com.br, 13.01.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se faz afirmação correta quanto ao que se depreende da tira e em que há correto emprego dos pronomes.
SE11688 - (Analista de Comunicação Pleno. Sptrans. 2024. Vunesp) Leia o texto para responder à questão.
Sobre escrever bem: uma declaração contra o império da simplicidade
Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.
Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.
Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?
Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.
Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.
(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/ julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra- -o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)
No trecho – … e uma geração de leitores que só buscam histórias fortes narradas limpidamente (1º parágrafo) –, a palavra em destaque pode ser corretamente substituída por:
SE11687 - (Agente Previdenciário. 2024. Vunesp) Leia o texto para responder à questão.
IA e destruição de empregos.
À medida que avança a utilização da tecnologia da inteligência artificial (IA), cresce o temor de destruição de empregos(a). A substituição de atividades profissionais em consequência do avanço da tecnologia é coisa antiga. A criação da lâmpada elétrica, por exemplo, matou o emprego dos acendedores de lampião(b). E, muito antes disso, as máquinas automáticas tomaram o lugar das ocupações repetitivas nas fábricas – o que levou, no início da Revolução Industrial, ao ludismo, o movimento dos trabalhadores que se puseram a quebrar as máquinas.
No entanto, ao mesmo tempo em que novas tecnologias extinguiram profissões, outras oportunidades foram criadas. Sempre que isso aconteceu, a sociedade conseguiu se adaptar às mudanças e gerou mais empregos e com melhor remuneração.
Estudo recente concluiu que, em todo o mundo, cerca de 40% das ocupações sofrerão o impacto produzido pelo inevitável crescimento da utilização da IA. Esse impacto não será uniforme. Em países industrialmente desenvolvidos, o percentual de ocupações expostas aos efeitos da IA deverá ser ainda maior, em torno de 60%. Mas este não será o único efeito a ser criado pela nova tecnologia. Aumentará também a produtividade tanto do trabalho quanto da produção. Essas novas tecnologias exigem respostas mais rápidas, uma vez que seguem sendo desenvolvidas para imitar, ou até mesmo para substituir com vantagem as atividades humanas(c).
Na avaliação do coordenador de humanidades do Centro de Inteligência Artificial da USP, Glauco Arbix, os principais sinais de que a revolução tecnológica pode ser um pouco diferente daquela do passado são os impactos nos empregos(e) de maior qualificação, como os dos advogados(d), jornalistas, professores, contadores e tradutores. Também, “É quase consenso de que esse avanço aumentará as atuais desigualdades. O mercado de trabalho oferecerá menos empregos bem remunerados e tende a rebaixar ou a desempregar trabalhadores”, adverte Arbix.
A chave para superar esse possível cenário, imagina Arbix, é o aumento do investimento em formação e requalificação profissional.
Embora experimente fortes recuos nos índices de desemprego, o Brasil ainda enfrenta a baixa qualidade dos seus profissionais. O futuro do trabalho passa pela melhora da educação, já que os empregos que exigem mais análises tendem a ser poupados.
(Celso Ming. O Estado de S. Paulo, 26 de janeiro de 2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo em destaque pertence à mesma classe gramatical que aquele destacado na frase a seguir.
Os que aqui se encontram esperam ser aprovados.
SE11686 - (Agente Técnico de Iluminação Pública. 2024. Vunesp) Leia o texto para responder à questão.
Redescobrir a leitura é preciso
A dependência das ferramentas da era digital é um fato. Os adolescentes não desgrudam do celular. Passam horas navegando na web ou absortos nos videogames. Mas não só eles. Todos, jovens e menos jovens, estamos reféns do mundo digital.
Para o norte-americano Nicholas Carr, formado em Harvard e autor de livros de tecnologia e administração, a dependência no uso da internet está empobrecendo nossa cultura, matando talentos e causando distúrbios psíquicos. Ele não fala do uso da internet, mas da compulsividade virtual.
Segundo Carr, o uso exagerado da internet está reduzindo nossa capacidade de pensar com independência e profundidade. “Você fica pulando de um site para o outro. Recebe várias mensagens ao mesmo tempo. Isso desenvolve um novo tipo de intelecto, mais adaptado a lidar com as múltiplas funções simultâneas, mas está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade.”
A nova geração de adolescentes tem mais acesso à informação que qualquer outra antes dela. Mas isso não se reflete em um ganho cultural. De fato, há uma perda considerável de qualidade da mão de obra. Os índices de leitura e de compreensão de texto vêm caindo intensamente. A conclusão é que, apesar do maior acesso às tecnologias, não se vê um ganho expressivo em termos de apreensão de conhecimento.
A internet é uma formidável ferramenta. Mas não deve perder o seu caráter instrumental. O excesso de internet termina em compulsão, um tipo de desvio que já começa a preocupar os especialistas em saúde mental. Usemos a internet, mas tenhamos moderação. Precisamos, todos, redescobrir o prazer e a beleza da leitura.
A literatura é o Waze que nos conduz na aventura da vida.
(Carlos Alberto Di Franco, Redescobrir a leitura é preciso. https://www.estadao.com.br, 22.01.2024. Adaptado)
Nas passagens “Os índices de leitura e de compreensão de texto vêm caindo intensamente.” e “Usemos a internet, mas tenhamos moderação.”, as formas verbais destacadas exprimem, correta e respectivamente, ideias de
SE11685 - (Analista de Sistemas. 2024. Vunesp) Assinale a alternativa com os verbos que preenchem, correta e respectivamente, as lacunas dos enunciados – Movimentos da papelada pelas minhas gavetas trarão surpresas, se minhas anotações à tona. / Não se surpreendam quando uma conta exorbitante de hotel e alguém que vocês a paguem.
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